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10 de outubro de 2026 — Tier2 Systems

Safra de grãos pressiona o frete de importação

A safra de grãos congestiona Santos e Paranaguá e encarece o frete de importação. O agente que antecipa o ciclo sazonal protege a margem.

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Quem opera um agente de carga no Brasil convive com um fato que raramente aparece na cotação: os mesmos portos que recebem contêineres de importação escoam a safra de grãos do país. Santos e Paranaguá concentram cerca de 49% da soja exportada, segundo dados compilados pela FeedFood a partir de embarques acumulados até julho de 2026, e são também os dois principais portos de entrada de contêineres. Quando a safra lota os berços com graneleiros, o navio de contêiner espera. E o frete de importação sobe.

Santos e Paranaguá escoam grãos e recebem contêineres pelo mesmo cais

O Brasil exportou 82,96 milhões de toneladas de soja nos primeiros sete meses de 2026, alta de 7,8% sobre o mesmo período de 2025, conforme a FeedFood. O milho somou 9,83 milhões de toneladas, com crescimento de 10,5%. Boa parte desse volume saiu por Santos e Paranaguá, onde terminais de granel sólido e de contêiner dividem o mesmo cais.

O problema é de espaço. Graneleiros de 60 mil a 80 mil toneladas ocupam berço por mais tempo que um porta-contêiner, porque carregar granel é mais lento. Quando a fila de graneleiros cresce no canal de acesso, o navio de contêiner entra na mesma fila. Em maio e junho, pico do escoamento de soja, os terminais de contêiner de Santos e Paranaguá trabalham com janelas mais apertadas. Armadores ajustam a programação dos navios para evitar a espera. O resultado: menos escalas, menos espaço e booking mais disputado.

O desequilíbrio de contêineres piora a pressão. Nos primeiros cinco meses de 2026, o Brasil importou 974,1 mil TEU por operadores de transporte intermodal e exportou apenas 406,2 mil TEU em contêineres, segundo a Transporte Moderno com dados da Datamar. Para cada TEU exportado em contêiner, o Brasil importa 2,4 TEU. Os armadores reposicionam contêineres vazios de volta à Ásia e embutem esse custo no frete de importação. Na safra, com os portos ocupados por granel e os caminhões do interior demorando mais para devolver contêineres vazios, o custo de reposicionamento sobe junto.

O frete de importação segue o calendário da safra

O frete marítimo no Brasil tem um ciclo sazonal conhecido. Janeiro e fevereiro, entre o feriado chinês e o início da colheita, são os meses de frete mais baixo. A partir de março, o preço sobe conforme a safra de soja entra no pico de colheita e os primeiros embarques de grãos lotam os portos. De maio a agosto, o pico de escoamento de soja e o início da safrinha de milho pressionam a capacidade portuária ao máximo. De setembro a novembro, um segundo pico combina o fim da safrinha com a antecipação de importações para a Black Friday e o Natal.

Em 2026, o ciclo se confirmou com força. Na rota China-Brasil, o frete para um contêiner de 40 pés saiu da faixa de US$ 900 a US$ 1.150 em janeiro para US$ 5.150 a US$ 5.250 em maio, conforme levantamento da Guelcos Internacional. Uma alta de quase cinco vezes em quatro meses, reflexo de safra recorde, ocupação de navios próxima de 98%, desvios de rota pelo Cabo da Boa Esperança e a concentração de armadores que permite administrar a oferta de espaço.

Em outubro de 2026, CMA CGM e Hapag-Lloyd anunciaram GRI de US$ 1.000 por contêiner na rota Ásia para a Costa Leste da América do Sul, com vigência a partir de 15 de outubro, segundo a Efficienza. No sentido oposto, a CMA CGM instituiu PSS de US$ 1.000 por TEU para exportações do Brasil para os EUA e Canadá entre outubro e dezembro. Os dois reajustes coincidiram com o final da safrinha de milho e o início da temporada de reposição de estoques no hemisfério norte. Para o agente de carga que cotou ao importador em setembro sem considerar o GRI de outubro, a margem prevista já entrou no mês seguinte menor do que o planejado.

Quem acompanha o calendário agrícola brasileiro sabe que o frete de importação tende a subir entre abril e setembro. A intensidade varia a cada ano, dependendo do tamanho da safra, do câmbio, da situação geopolítica e das decisões de capacidade dos armadores. O padrão de alta, porém, se repete. A safra recorde de 2026, com mais de 330 milhões de toneladas de grãos colhidos, confirmou um ciclo que o mercado já conhecia.

O agente que antecipa o ciclo compra melhor

Conhecer o ciclo permite agir antes de o preço subir. Quem planeja a compra de frete considerando a sazonalidade da safra consegue proteger a margem de algumas formas.

A mais direta é antecipar bookings nos meses de frete mais baixo. Entre janeiro e março, quando o escoamento de grãos ainda não travou os portos, a disponibilidade de espaço em navios de contêiner é maior e a tarifa spot costuma estar no ponto mais baixo do ano. Concentrar embarques nessa janela, em acordo com o importador, significa comprar frete mais barato e evitar a disputa por espaço que começa em abril.

Outra é combinar frete spot e contrato. Um contrato de três a seis meses com o armador trava uma parte do volume a uma tarifa previsível. O excedente vai no spot. Quando o spot sobe na safra, o volume contratado protege a margem da carteira. Quando cai no segundo semestre, dá para comprar mais barato no mercado aberto sem estar preso a um contrato acima do preço corrente.

Também vale antecipar a conversa com o importador. O GRI de outubro de 2026 foi anunciado com duas semanas de antecedência. Quem repassou ao cliente a expectativa de reajuste antes do anúncio oficial manteve a confiança e a margem. Quem cotou sem considerar o aumento e depois precisou remarcar perdeu margem ou credibilidade.

A devolução de contêiner vazio também pesa mais na safra. Com o interior ocupado pelo escoamento de grãos, caminhões e contêineres demoram mais para voltar ao porto. O prazo de free time que parecia folgado em fevereiro pode virar demurrage em junho. Revisar o free time vendido ao importador à luz do calendário agrícola evita custo que depois ninguém repassa.

Como o Tier2 Cargo mostra a margem em cada fase do ciclo

O Tier2 Cargo registra a margem prevista na cotação e a atualiza conforme as faturas do armador chegam ao longo do processo. Quando o frete sobe na safra e a fatura vem acima do cotado, a diferença aparece processo a processo, antes do fechamento do mês. Quem acompanha esse número em tempo real sabe quando o ciclo está comprimindo a margem e ajusta a próxima cotação com o dado na mão.

Conheça o Tier2 Cargo ou fale com a gente.

O próximo ciclo de safra começa a pressionar os portos em março de 2027. Quem já mapeou quais rotas e clientes sofrem mais com a sazonalidade pode começar a negociar contratos com armadores e a alinhar expectativas com importadores antes de o frete subir.


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